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Você pode prever o autismo com ultrasom em crianças recémnascidas?

O uso do ultra-som na medicina começou nos anos 50 do século passado, quando um médico escocês, Ian McDonald, tomou uma máquina que se usava para detectar falhas em metalurgia e a utilizou em um experimento com uma centena de pacientes, com o fim de detectar diferentes densidades de tecido abdominal.
Nos anos seguintes, descobriu-se que, com este instrumento podia ser visualizado o feto humano e, a partir de 1963, foram desenvolvidos aparelhos de ultra-som para ser usados principalmente no campo da obstetrícia. No século XXI os médicos consideraram outros usos, e alguns acreditam que poderia servir para prever o autismo em crianças recém-nascidas.
Você pode prever o autismo com ultra-som em crianças recém-nascidas?
Como sabemos, o autismo é um distúrbio neurológico complexo que pode isolar-se em diferentes graus, a uma pessoa do mundo exterior, e que costuma se manifestar a partir dos 3 anos de idade.
Em 2013, pesquisadores da Universidade de Michigan (Estados Unidos) publicaram um estudo que coloca em direção à possibilidade de detectar sinais de autismo muito antes, em recém-nascidos, utilizando equipamentos de ultra-som. Os pesquisadores queriam confirmar a teoria de que poderia haver sinais físicas no cérebro que indicassem a presença desta condição.

Estudos anteriores indicaram que as crianças que nascem com baixo peso corporal, como os prematuros correm maior risco do que as crianças nascidas com peso normal, assim que se fez acompanhar um grupo de crianças nascidas em 1980 e para os que se lhes fez um ultra-som pouco depois de nascer.
A teoria aponta para o fato de que as crianças que podiam chegar a ser autistas deveriam apresentar diferentes lesões indicadoras de perda de substância branca, que podiam ser detectadas com ultra-som. O acompanhamento incluiu a realização de um teste, quando os sujeitos do estudo cumpriram 16 anos para determinar o grau de autismo e descartar as influências ambientais.
Embora os resultados deste estudo não foram conclusivos, e ainda estão em discussão, os mesmos poderiam apontar para um uso do ultra-som para determinar com antecedência o aparecimento desta doença e poder começar a tratá-la com terapias.

Por outro lado, há médicos que são céticos em torno da possibilidade de que esses equipamentos possam servir para detectar de forma precoce desta condição, e até há neurologistas que promoveram o ultra-som usado com muita freqüência durante a gravidez, como um potencial causador desta doença, como tem assinalado o neurologista Manuel Casanova, da Universidade de Louisville (Estados Unidos).
No entanto, qualquer coisa que ajude a determinar, com antecedência, se uma criança sofre de autismo, provavelmente vindas dos pais. Recomendamos que você leia Desenvolvem mini-cérebros para estudar doenças neurológicas.