Curiosidades

Os 5 cavaleiros medievais mais corajosos

Para ser nomeado cavaleiro, um homem devia ser de nobre berço, a partir dos 8 anos, mais ou menos, começava a servir a um cavaleiro como pajem, e, em seguida, como escudeiro, e, finalmente, aos 20, foi promovido a cavaleiro por seus superiores –geralmente o rei–, através de uma cerimônia, que chegou a ser tão prestigiada que muitos nobres pediram para serem nomeados cavaleiros.
O certo é que cada vez mais os jovens, mesmo os de classe baixa, desejava se tornar cavaleiros medievais, o que gerou uma prova seletiva chamada “impulso” ou “batida”.

Na cerimônia, o jovem escudeiro deveria prestar um juramento solene de serviço leal a seu rei, ser corajoso e proteger os indefesos, bem como ser cortês com as mulheres. Isto é conhecido como o código de cavalaria.
Os cavaleiros medievais chegaram a ser tão importantes que alguns deles também foram reis (de fato, nomearemos aqui-para-muitos), o que não significa necessariamente que tenham sido os melhores governantes. Mas contavam com suficiente riqueza para manter seus cavalos e aos seus homens, o que lhes permitia formar exércitos, e foi o que, a longo prazo, os converteu em uma classe social de prestígio.
Os 5 cavaleiros medievais mais corajosos
1. Rodrigo Díaz de Vivar, o Cid (1048-1099)
Todos os que pertencem à cultura hispânica, que falamos português, sabemos desde o colégio a esta figura que a história foi pintado com um ar romântico e heróicos. É nada mais nada menos que o protagonista do cantar de gesta mais importante da literatura espanhola, O Cantar de Mío Cid, transcrito por lá, por 1200.
O Cid
O Cid foi importante na Reconquista dos territórios ocupados pelos árabes em Portugal, e não só foi um arrojado guerreiro, mas um estrategista original e desconcertante no campo de batalha, segundo os especialistas, sua tática era metade cristã e metade mora. Incursionaba com suas tropas de cavalaria em ataques rápidos –o que se conhece como razia ou algara–, tratadas por igual, o cálculo e a improvisação e se transformou em um verdadeiro lutador, o que lhe valeu o apelido de “Nobres”, ou um especialista em batalhas campais.
Mas não só lutou para o rei Sancho II de Castela e seu irmão d. Afonso VI, também o fez para os senhores muçulmanos, o que tem significado que o descreva como um mercenário, isto é, um soldado profissional que presta os seus serviços em troca de dinheiro. A verdade era que ele lutava com suas próprias ordens, e chegou a ser querido tanto pelos cristãos como pelos árabes (Cid é “senhor”, em árabe dialetal). Nosso cavaleiro castelhano morreu em Valência, em 1099.
2. Godofredo de Bouillón, o “Protector do Santo Sepulcro” (1060-1100)
Foi um destacado militar na Primeira Cruzada. Era também o duque da Baixa Lorena (Países Baixos). A primeira cruzada e a convocou o papa Urbano II para libertar os lugares santos do islã, e Godofredo foi um dos primeiros cavaleiros medievais em acudir ao chamado.
Vendeu uma grande parte de seus domínios para financiar o seu exército, com o qual se apresentou em Constantinopla, em 1096, e ali prestou vassalagem ao imperador bizantino a mudança de tropas e comida. Depois de muitas vitórias em batalhas contra os muçulmanos (as de Niceia, Antioquia, ou Dorileia), tornou-se o chefe dos cruzados, eles o fizeram rei de Jerusalém em 1099, mas Godofredo recusou o título pretextando “humildade cristã”, e preferiu o “Protector do Santo Sepulcro”.
Godofredo de Bouillón
É o herói de dois cantares de gesta, a Canção de Antioquia e a Canção de Jerusalém. Na época, foi a personificação do cavaleiro medieval.
3. Ricardo Coração de Leão (1157-1199)
Também conhecido como Ricardo I de Inglaterra, foi rei entre 1189 e 1199. É o rei de Robin Hood, e lhe diziam “coração de leão” por sua coragem extrema e sua disposição para o combate. Sua mãe era dona Leonor de Aquitânia. Lutou na Terceira Cruzada, a sua vida foi uma contínua luta pelo poder e o trono de Inglaterra, o que o levou a enfrentar seu pai, Henrique II da Inglaterra, e a seus irmãos Godofredo, Filipe e João Sem Terra.
Era o cavalheiro em toda a extensão do termo: um guerreiro corajoso, generoso e galante. Quando dava a sua palavra, respeitava os compromissos até a morte. Seu impulso guerreiro o levou a ficar apenas 6 meses de seu reinado na Inglaterra, além de desviar recursos para apoiar a sua cruzada e outras campanhas de guerra na França.
Sarcófago de Ricardo Coração de Leão
Conquistou a Sicília e Chipre, e os historiadores garantem que não tinha piedade com os conquistados: masacraba sem arrependimentos aqueles que se lhe resistir. Morreu na França, graças a uma ferida infectada.
4. Eduardo, o príncipe Negro, o Príncipe Negro (1330-1376)
Filho do rei Eduardo III de Inglaterra e pai de Ricardo II, Eduardo de Woodstock foi o primeiro duque da Cornualha da história e, desde seu nascimento, foi o herdeiro da Coroa, mas morreu antes de reinar, tornando-se o primeiro príncipe de Gales que não foi rei.
Ilustração do “Príncipe Negro”, do “Livro da Jarreteira de Bruxas”, 1453
Amava apaixonadamente a guerra, tanto, que aos 16 anos foi um destacado soldado na batalha de Crecy, e lutou contra os franceses na Guerra dos Cem Anos. Não contente com isso, participou em qualquer conflito internacional que exigia a sua presença, como na guerra de sucessão de Castela, onde lutou ao lado de Pedro I, O Cruel. Em uma das batalhas mais famosas, a de Nájera, contraiu uma doença que o levaria à morte em 1376.
Há duas versões de por que chamavam de “Príncipe Negro”: uma refere-se a que sempre usava uma armadura negra, a outra, a sua conduta para com os prisioneiros franceses. Mas as fontes indicam que talvez os rumores de assassinatos terríveis foram um exagero francesa.
5. Henry V de Inglaterra (1387-1422)
Entramos já no fim da Idade Média, a morte de um dos cavaleiros medievais mais corajosos aconteceu na segunda década do século XV. Foi nomeado cavaleiro aos 12 anos, no meio de uma batalha, o rei Ricardo II, que tinha de refém para que seu pai, o rei Henry IV, para determinar o seu comportamento. E, de novo, foi nomeado cavaleiro por seu pai, algum tempo depois.
Henry V, quadro de autor desconhecido
Reprimiu uma rebelião irlandesa e derrotou os exércitos de dois chefes ingleses que haviam somado a ela, e diz-se que os galeses aprendeu táticas de guerrilha que então usaria contra os franceses.
Quando chegou ao trono, quis recuperar as terras de Plantagenetas –ao menos fazia 200 anos que João Sem Terra, tinha-se perdido–, que ele considerava suas. Lembre-se que Henrique de Plantagenetas, o pai de Ricardo, Coração de Leão, e o segundo marido de d. Leonor de Aquitânia, possuía domínios na França, e Henry V era descendente da casa Plantagenetas, por isso, decidiu ir à guerra contra Carlos VI de França, o “rei louco”.
Planejou uma invasão ao país gaulês e conseguiu uma vitória absoluta na batalha de Agincourt, como parte da vitória, casou-se com Catarina de Valois, filha do rei francês.
Conta-Se que quando conquistou a cidade de Harfleur, enviou uma mensagem ao rei francês, oferecendo-lhe resolver o problema do trono com um torneio entre eles dois, mas o Golfinho recusou. Foi imortalizado por Shakespeare, em sua famosa tragédia, Henry V.
Houve muitos mais cavaleiros medievais que demonstraram coragem e temperança, mas já a partir dos séculos XV e XVI, esta figura vai perdendo o brilho, até chegar a paródia por excelência da cavalaria, Dom Quixote de La Mancha, que abriu outras portas para o “ser cavaleiro”, talvez mais de acordo com a nossa sensibilidade moderna.
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