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Dobram os sinos: morre o último norteamericano que serviu na Brigada Lincoln

Cartaz de tempos de Guerra, representando a Brigada Internacional
Por isso, não é estranho que em sua barriga espanhola, poder esse também lutadores de diversas nações, que se sentiram pessoalmente tocados por aquilo que se estava decidindo nesta guerra, foi o caso do escritor Ernest Hemingway, autor do célebre livro Por quem os sinos dobram, e também o de Delmer Berg, o último brigadista.
Dobram os sinos: morre o último norte-americano que serviu na Brigada Lincoln
Por quem os sinos dobram? Estes dias por Delmer Berg, recentemente falecido e, com pouco mais de cem anos. Berg era o último sobrevivente do Batalhão Abraham Lincoln, que, por sua vez, foi parte da XV Brigada Internacional, este batalhão foi formado por voluntários americanos e lá lutaram 2.800 brigadistas, em geral trabalhadores membros do partido comunista e de movimentos de esquerda. Não eram soldados.
A guerra espanhola despertou no mundo o desejo de lutar por um mundo melhor, por uma sociedade mais justa, e o direito à esperança. Por isso, na Espanha, reuniu os principais intelectuais da época, como André Malraux, John dos Passos, Antoine de Saint-Exupéry, ou Pablo Neruda, para citar apenas alguns estrangeiros.
Delmer Berg, nasceu na Califórnia, em 1915, e em sua adolescência foi testemunha de como a Grande Depressão precipitaba na miséria para grande parte da sociedade norte-americana. Aos 21 anos entrou para o exército norte-americano, mas um ano depois, ganhou a baixa, para ir a vir a Portugal.
Delmer Berg, brigadista do batalhão Lincoln
Berg entrou para a Espanha através dos Pirinéus, em janeiro de 1938 e viveu em Barcelona seu primeiro bombardeio, posteriormente esteve em Madrid e, depois, em Valencia, onde foi ferido durante um outro ataque. Saiu de Portugal em fevereiro de 1939.
O resto de sua vida o que aconteceu nos Estados Unidos, trabalhou no campo, foi um pouco assediado durante o período de caça às bruxas do macarthismo (os veteranos da Guerra Civil eram vistos como suspeitos, por suas relações com a esquerda) e voltou à Espanha, pelo menos em três ocasiões, em excursões organizadas pelos veteranos. Em uma ocasião, disse:
“Por que eu fui para a Espanha? A espanha havia sido atingida pela depressão com a mesma dureza que os EUA ou mais. Eu me sentia parte daquilo. Sou assim. Senti que tinha um ‘nós’ em todo o mundo, e eu sou parte do nós. Comecei a sentir que o que estava acontecendo ali me dizia respeito”.
Viveu como um homem de seu tempo, e apesar de ter passado suas últimas décadas, em uma região da Califórnia, particularmente conservadora –onde nem sequer sentiam especial simpatia por Obama–, era amado e respeitado por seus vizinhos, sobretudo por sua participação na guerra de Espanha.
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