‘Watch Dogs’: vigilado pt exceso

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‘Watch Dogs’ chegou. E isto, que pode parecer um truísmo, é a verdadeira novidade de um jogo avançado tanto e com tanta vontade que tem estado a ponto de morrer por hype. Tem sido um caminho difícil para o jogo, tanto que por momentos esteve a ponto de desaparecer. A sua história é o exemplo claro do que acontece quando a indústria do videogame sabe que tem entre mãos uma consultora em doce e põe todo o seu empenho para que assim seja.

A análise de ‘Watch Dogs’ de Vida Extra deixa claro: o novo título da Ubi consegue livrar-se de quase tudo de ruim que poderia ter sido por culpa do excesso de zelo, as pressas e outros males da indústria Triple A e é como um jogo notável só criminaliza certas decisões mal executadas que o afastam do espírito com o que se vendeu.

Em qualquer caso, é bom não vê-lo finalmente esmagados do todo por sua própria ambição e a dos que desenvolviam, como em algum momento pareceu. Não foi um caminho fácil para o título chegar até isso, até se tornar (só, você só?) um bom sandbox. Sua vida tem tido alguns problemas… e até um momento em que tudo parecia ir para o inferno.morte.

Como não ser um título de lançamento da next-gen

Rebobinemos. ‘Watch Dogs’ foi a grande aposta da Ubi para o salto geracional. Uma aposta muito com pés de chumbo, como quase tudo o que faz Ubi: seria um jogo cross-gen, mas nos disse que estaria pronto para nos mostrar tudo de bom e emocionante que nos levaria a próxima onda de tecnologia do mundo consolero. O seu primeiro trailer, de fato, parecia antecipar-se até à apresentação das novas consoles.

Era, além disso, um título de tema gulosa, hackers em uma cidade grande, e, como não, de mundo aberto, apostando por ser o primeiro GTA antes que a Rockstar desse o passo. Havia sido anunciada um ano antes, na E3 de 2012, e o que nos mostrou recebeu os elogios de muitos, tornando-se um dos jogos mais interessantes daquela feira.

Nos contaram que ‘Watch Dogs’ ia ser muito mais do que um sandbox ao uso, a eterna promessa desse circo em que se vive obcecado com o mais difícil ainda. Aqui seria a tecnologia usada por nosso personagem e, em especial, a informação de que dispusiésemos de outros habitantes de sua cidade que lhe dariam uma profundidade incomum. Tudo na cidade tinha o seu peso no jogo: cada personagem que aparecesse, tinha um nome que usar, um salário que roubar. Cada localização da cidade tinha vida, não era uma caixa de scripts lista para fazer saltar a mola de truques.

Mas um mês antes de seu lançamento, a Ubi não teve mais remédio que hincar joelho: 15 de outubro de 2013, anunciou que até 2014 Aidan Pearce, o novo anti-herói, não seria ato de presença.

A experiência de ‘Assassin’s Creed’

A sempre criticada Ubi sabe perfeitamente o que é vender um, a priori, grande jogo a meio cozidas. Aprendeu a base de socos com o primeiro ‘Assassin’s Creed’: um jogo maravilhoso, a nível visual e soporífero quanto tocava jogar. Era difícil não sentir cansaço três horas depois de ter começado, talvez o jogo mais repetitivo do que jamais tenha saído um IP de sucesso.

‘Watch Dogs’ chegou em outubro do ano passado com o mesmo problema. Além disso, com detalhes gráficos por polimento (ou, diretamente, por “downgradear”), o jogo lhe faltava tudo o que é necessário para acoplar: nem ritmo, nem variedade, nem o mundo com o que poderia acontecer de tudo. O ido, contando as pessoas da Ubi nos últimos meses.

“Watch Dogs é um jogo muito complicado. Você pode cortar a inteligência artificial e ver como ele reage. Você pode fazer isso em cada missão, e repetir, e repetir, e em certo ponto, nós não estávamos satisfeitos com a variedade. Queríamos fazê-lo melhor. – Danny Belanger, o designer do jogo”

Jonathan Morin, diretor criativo do jogo, ia mais longe e afirmava que, ao juntar todas as peças separadamente pareciam brilhantes e emocionantes… só restava um montão de mecânicas cheias de problemas:

Às vezes, quando você chegar ao final de um desenvolvimento, está nesse momento em que você diz “Ok, tudo isso é o que eu tenho que limpar e este é o tempo que tenho para fazê-lo”. E passa, então, que você tem que usar o Plano B no lugar de A, porque você não tem tempo para resolver tudo corretamente. Eu acho que (com ‘Watch Dogs’) nos passou que começamos a usar o plano B, sem que nos déssemos conta e transformou o jogo em algo que não queríamos que fosse.

É como se Ubi ainda sofresse pesadelos com o primeiro ‘Assassin’s Creed’. ‘Watch Dogs’ em seu trecho final antes da primeira janela de lançamento prevista, encheu-se de tantos detalhes para fazê-lo diferente do que muitos combatendo organizados. Tantos pontos de hack em tela que o jogador teve difícil isolar um, personagens erráticos, desequilíbrio, dificuldade para autoexplicarse como jogo…

E uma cidade tão deliberadamente complexa que tinha ficado a meio de acabar, como quando você monta um móvel, você já quase terminado, mas faltam-lhe duas peças para ensamblarlo tudo e, por isso, é tão inútil que, se não tivesses feito nada.

Oito meses de vida extra são uma nova vida de verdade?

Desde outubro, quando foi anunciado o atraso, até hoje, dia em que se lança definitivamente ‘Watch Dogs’, já se passaram oito meses. E o resultado final dessa vida extra não foi um ‘Alien: Colonial Marines’, exemplo mais próximo de jogo atrasado até que não houve mais remédio que lançar-se para a luz o desastre.

O hype não foi comido a ‘Watch Dogs’, embora o resultado final ainda tem partes muito discutíveis. Por exemplo, se lhe notam os sinais de que não estava funcionando: o que você faz hackeando a cidade é muito menos importante do que nos disse, de fato, funciona se você estiver em combate, mas fora dele logo demonstra ser apenas fumaça e espelhos, truques para esconder a tramoya. Câmeras e persianas são pouca coisa para tudo o que há em uma cidade.

Também, a essas alturas, faz sentido colocar essas missões “continua a alguém espiándole”. Alguém na Ubi deve considerar que, se a série ‘Assassin’s Creed’ há muito chateado, muito menos deveriam servir de coringa para preencher horas de jogo. Não só não dão variedade (e parece pôr em ‘Watch Dogs’ para isso, para que não tenha a sensação de estar sempre com o mesmo), mas que se tornaram momentos odiosos, a antítese viciante.

De fato, onde funciona pior, parecia que estava indo a coisa, em um multiplayer divertido e de piques e adicionados como as missões de Realidade Virtual drogota (carne de DLC, é óbvio), que acentuaram a um ponto de loucura. Visto o visto, talvez, deveria ter sido levado mais longe. ‘Watch Dogs’ se debate entre dois tons: um escuro, sombrio, e outro de folia, mais leve e espetacular. Não é ‘Deus Ex: Human Revolution’ nem ‘Saints Row’, mas às vezes parece querer ser ambos ao mesmo tempo.

‘Watch Dogs’ já está entre nós e aponta certeiro em vários de seus pontos-chave, embora não se converte em jogo de hackers definitivo…ao menos não por agora. CTOS Mobile merece outra chance. Se ‘Assassin’s Creed’ a teve, estranho seria que ‘Watch Dogs’ não.